10/12/13

Tenha a coragem de cortar a corda...


Você conhece alguém para quem parece que nada funciona? As vezes, fica bem mais fácil encontrar saídas quando procuramos de uma forma diferente ou, pelo menos, em outros lugares. Não raro, a vida nos mostra alternativas que veríamos com muito mais facilidade se não estivéssemos ocupados demais tentando resolver problemas que nós mesmos criamos ou amplificamos.

Você já considerou a possibilidade de ver a sua crise como um momento de preparação para uma vida toda nova e cheia de possibilidades? Tente se ver, por um instante, como o veleiro do filme abaixo. Ele tem tudo para ser feliz. Sem maiores responsabilidades, ele tem mar à sua frente e uma deliciosa brisa que poderia levá-lo a qualquer lugar. A única coisa que o prende é uma cordinha bem fina (quase imperceptível para quem está olhando de longe); será que a corda existe realmente? E se a corda se romper, será que ele sequer notará?



Olhando para esse filme, alguém poderia pensar:
  • "Que semelhanças existem entre minha vida e esse veleiro?"
  • "Se eu fosse esse veleiro e cortasse a corda, qual o pior cenário possível?"

Talvez o veleiro flutuasse à deriva até as pedras, rompesse o seu casco e afundasse. Eu sempre me impressiono com o medo que os primeiros sinais de liberdade (quase sempre acompanhados de acréscimo de responsabilidade) causam na maioria das pessoas. Em especial, naquelas que estão acostumadas ao conforto de um lar quentinho ou a algum tipo de dependência.

A mera possibilidade da liberdade já assusta. É como se evitássemos sequer imaginar subir em um prédio alto com medo da queda. Veja, não estou discutindo se realmente subo ou não, estou apenas tentando imaginar e, ainda assim, assusta.

Tudo bem, você pode não ter a coragem de cortar a corda, mas, com um pouquinho de esforço, você consegue se imaginar cortando. Claro que, a primeira sensação não é muito animadora. Mas, se você conseguir apreciar cada uma das possibilidades, com o tempo, cenários muito mais animadores aparecerão. 

Em um cenário possível, você pode ser conduzido por uma corrente que não tem a menor intensão de fazer mal. Quem sabe você não chegaria a uma linda ilha tropical cheia de prais maravilhosas, céu azul, sol de verão, cachoeiras paradisíacas, pássaros, flores, sombras refrescantes e as frutas mais gostosas que você já provou? E se, nessa ilha, você encontrar alguém que está perdido há muito tempo e que te receberá com o abraço de quem esperava a tua chegada como um dos maiores presentes da vida? E se esse alguém estiver apenas te esperando para, com um pouco de coragem e o teu apoio, vencer os próprios medos e sair viajando contigo curtindo todas as maravilhas que o mundo tem para oferecer?

E se esse outro alguém, perdido nessa ilha deserta, for você mesmo?

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10/11/13

Reconhecer sucessos do passado

Você consegue se lembrar de alguma coisa que você fez certo hoje? E o que você fez certo ontem? Não precisa ser todas as coisas, basta uma. Você consegue se lembrar de uma coisa legal que você fez em um dia que parecia estar dando tudo certo?
Será que foi pura sorte? O que fazer para que esses dias sejam mais frequentes na sua vida?
Talvez se você se lembrar de como esse dia legal começou e repetir o começo, quem sabe você não tenha o mesmo final?
Talvez a existencia desse dia tão especial tenha tido menos a ver com sorte e mais a ver com as suas atitudes com relação ao dia. Se isso for verdade, repetindo as mesmas atitudes, será bem provável que você tenha um dia tão prazeiroso quanto aquele.
Mas, como ter a mesma atitude se, aquele dia começou com alguém maravilhoso ao meu lado e um sorriso iluminado enquanto que hoje começou com a casa vazia e a certeza de que nunca mais vou ser feliz de novo?
É, precisamente, aqui, meu caro, que você começa a tomar o controle sobre a própria vida e felicidade. Pode ser que você não consiga escolher (hoje) com quem acordar (no dia seguinte). Em especial, se você não encontrou aquela pessoa que realmente vale a pena ter ao seu lado e com quem realmente valha a pena acordar. No entanto, as pessoas mais felizes do mundo não acreditam que foi o sorriso que fez o seu dia. Nove entre dez delas diriam que, o que fez aquele dia ser tão especial  foi a resposta que você deu ao sorriso. Melhor ainda, as pessoas mais felizes do mundo sabem que você é plenamente capaz de repetir essa mesma resposta de várias maneiras diferentes. Uma dessas maneiras passa por recriar aquele momento tão precioso. 
- Mas, como?!
Comece por recriar aquela imagem na sua cabeça (como se olhando uma foto antiga daquelas que faz a gente suspirar).
Agora que você já recriou o momento, você tem duas opções: 
a) Acreditar que nunca mais vai ter essa sensação deliciosa e se fazer triste por causa disso
b) Perceber que você realmente está vivendo esse momento de novo enquanto imagina, agradecer por ele ter acontecido da forma como aconteceu, apreciar o seu poder de recriá-lo tantas vezes quanto queira e canalizar essa poderosa energia que acabou de descobri dentro do seu coração para que ela trabalhe a seu servico (e das pessoas que têm a sorte de te ter nessa maravilhosa jornada que é a vida) transformando o seu dia de hoje e o dia delas todas para algo muito melhor.

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10/9/13

A garota, o livro azul e a águia

Ela chegou da escola, correu para a cozinha e deu um abraço longo e apertado em sua mãe como se não tivesse visto aquela mãe há menos de poucas horas ou como se tivesse aprendido recentemente que aquele abraço gostoso, apesar de gratuito, pode não se repetir tantas vezes quanto as duas gostariam ao longo da vida.
A mãe, tanto satisfeita quanto curiosa, perguntou qual era o motivo de um presente tão especial. Foi quando a filhota lhe respondeu contando sobre o lindo livro azul que tinha encontrado na biblioteca. Esse livro trazia a estória de uma tribo que existiu há muitos anos em uma terra que, apesar de distante, tinha vários traços parecidos com os da cidade na qual elas viviam.
Mas não foram as semelhanças e sim uma diferença que mais chamou a atenção da menina. Naquela tribo, o amor era percebido de uma forma um pouco diferente. Na tribo, eles acreditavam no amor como uma característica (ou melhor, uma competência) mágica que estava presente em cada um dos membros da tribo.
Quanto mais eles praticavam essa magia, expandindo sua intensidade e efeitos, mais competentes se tornavam em diversas áreas da vida e mais mereciam não só as competências adquiridas mas todo o reconhecimento advindos dos resultados maravilhosos que tamanho poder gerava na vida das pessoas e na resolução de problemas pessoais, da tribo e de toda a floresta. Para os membros daquela tribo, a floresta e o universo era tudo a mesma coisa.
Quando sua mãe perguntou qual parte do livro ela mais gostou, a menina escolheu a passagem na qual uma criança narrava seu sonho mais frequente. No sonho, uma águia descia dos céus e ficava pertinho do riacho conversando sobre suas aventuras e compartilhando sua vasta experiência.

Em uma de suas lições mais valiosas,  a águia falava sobre cinco formas diferentes de amar:
- Toque: abraçar, beijar, apertar a mão, cruzar olhares "talvez". Segundo a águia, essa era a forma mais simples de experimentar pois basta a iniciativa... não tinha como errar.
- Dar presentes. Uma outra forma bem simples e, na percepção da águia, a forma mais fácil do ser amado perceber a existência do amor.
- Trabalho. Essa forma é bem mais simples de executar do que dar presente mas é um pouco menos fácil de ser percebida pelo ser amado. Muito trabalho é realizado por amor no mundo. Mas nem sempre é percebido pelo ser amado. Veja, por exemplo, o caso do amor de várias mães que conhecemos. 
- Fazer elogios. Essa forma é um pouco mais elaborada porque exige o crescimento de quem ama. Fazer um elogia, a um ser amado, exige do amante duas características muito nobres e difíceis de cultivar:
* Visão aguçada; sem a qual, não é possível enxergar o bem na ação ou na intenção do outro.
* Grandeza. Sem grandeza, o amante não consegue vencer o medo natural de se ver diminuído pelo crescimento que seu elogio proporciona ao outro. 

- Passar tempo agradável com a pessoa amada. Essa forma requer um pouco mais de sofisticação pois exige, além do tempo agradável, uma dedicação adicional em descobrir o que o ser amado gosta de fazer e em aprender a apreciar os momentos que os dois passam juntos. Dessa forma, o tempo juntos se torna agradável para os dois. Talvez, no fundo, seja esse o real presente de passar tempo agradável. O ser amado (ainda que inconscientemente) percebe um reforço da certeza de que é amado pois o amante, para poder passar um tempo realmente de qualidade, precisa de bastante dedicação em aprender o que o amado gosta e ainda mais dedicação para executar o que aprendeu além de correr o risco de ter todo o seu esforço ignorado. Essa é uma das provas de amor mais fortes que existem.

No caminho de casa, refletindo dobre o livro, a criança percebeu que não podia comprar um presente pra sua mãe. Pelo menos não hoje e ela não queria esperar mais nem um minuto sequer para começar a usar o que apendeu no livro. Por isso, ao chegar em casa, correu pra cozinha e deu o abraço mais gostoso e intenso que ela conseguiu imaginar.

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10/8/13

O funcionamento da mente...

As vezes a gente se pega pensando, olhando para o infinito, completamente disperso e, aparentemente, sem a menor noção do que se passa em volta. Já imaginou se fosse possível entrar na própria cabeça e observar o funcionamento desse maravilhoso sistema?

Não consigo parar de imaginar cenários a respeito de como se dá o processo de se perder em devaneios... Tem vezes que imagino um devaneio como o momento no qual a mente somática e a mente cognitiva olham uma para a outra (como dois personagens de um desenho animado), sorriem e se afastam um pouco para curtir o que se passa e apreciar um momento de descanso como se elas mesmas estivessem, por sua vez, assistindo a um filme no qual o personagem principal sou eu mesmo.


É como se, enquanto essas duas mentes descansam, o comando fosse passado para uma terceira entidade. Nesse momento, a mente de campo assume o controle de toda a nave e nos conduz por um lindo passeio com cheiro de domingo de manhã e um calor gostoso de quem está totalmente protegido e acompanhado daqueles que mais ama. Um passeio como aqueles que os pais amorosos levam seus filhos queridos para curtir suas infâncias cheias de esperança e imaginação.

No meu sonho, esse passeio é um momento não só de prazer e paz mas também  de intensa criatividade porque me encontro livre de todo o julgamento da lógica precisa (porém restrita) da mente cognitiva e não sofro a pressão de sargento e a pressa em fazer que é marca mais do que registrada da mente somática.

A mente de campo

Uma parte da minha mente é capaz de perceber o todo de acordo com uma lógica bem particular. Essa parte é capaz de processar uma quantidade absurda de informação simultaneamente mas não tem a noção de espaço e nem de tempo. No seu agora, ela considera tudo e todos como partes de um único todo. Por conta disso, ela não tem a noção de EU. Pra ela, tudo é nós. E como nós, ela é capaz de sentir a tristeza e a alegria, a dor e o alívio, as preocupações e a leveza no coração de cada um de nós que, pra ela, é o coração do universo.

Essa parte da minha mente é capaz de saber a verdade contida em cada um e identifica, em fração de segundo, qualquer desalinhamento entre o que é dito e o que é realmente pensado, desejado ou escondido.

Eu acredito que todos tenhamos uma mente assim. E, mesmo sem qualquer treinamento especial, somos capazes de fazer coisas maravilhas usando tamanho poder. Da forma que vejo, nós podemos até não saber qual é o desejo real de cada pessoa mas somos plenamente capazes de identificar, imediatamente, que o desejo real está desalinhado com as ações ou com as palavras de qualquer pessoa.

O treinamento adicional não parece ser para aprender a identificar esse tipo de desalinhamento. Acredito que o real objetivo dos treinamentos é aprender a aceitar os avisos que nossa Mente de Campo nos manda e que insistimos em ignorar.
Veja o vídeo com legenda em português aqui
Veja também:

A mente cognitiva

A mente cognitiva é a que sabe. É a essa que normalmente nos referimos quando pensamos em inteligência, competência ou velocidade de aprendizado. Essa mente é capaz de conceber situações ou cenários, formular problemas, construir teorias ou hipóteses, construir lógica e seguir modelos. Ela também tem uma profunda noção de tempo e espaço e é excelente para se determinar onde estamos e onde queremos ir. Mas ela não é tão boa assim para, de fato, ir.


A mente somática

A mente somática é a que sente, é a que faz a gente responder rápido. Ela é responsável pela percepção de fome, de indignação, nojo ou paixão, vontade de sair feito louco dançando, cantando e sendo feliz. 

Essa parte da mente não julga muito, mas é a guardiã da chave de uma fonte quase que ilimitada de recursos. Ela é capaz de produzir a energia da explosão de uma bomba atômica mas não é capaz de exercer um controle muito rígido a respeito de como a energia produzida por essa explosão será utilizada. Ela tampouco é capaz de imaginar os impactos positivos ou negativos que tamanha quantidade de energia liberada em um espaço tempo tão curto pode causar sobre as pessoas à sua volta.
Não seria interessante se conseguíssemos usar um pouco dessa energia de forma organizada para construir verdadeiras maravilhas e desenvolver um futuro muito melhor para uma quantidade inesgotável de seres humanos?

Um dos caminhos para essa ganho adicional de energia e capacidade de realização passa por começar a prestar atenção na forma como o corpo está ligado à mente e perceber que essa ligação é uma estrada de duas vias.

Não é só o corpo que muda a postura quando a mente está alegre ou triste. A mente também muda o que pensa, sente e percebe dependendo do que o corpo sente ou de como ele se posiciona. 

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